Revisão do manifesto sobre normas abertas no sistema de ensino e guia de aplicação
Submetido por EscolasLivres a Sábado, 01/16/2010 - 20:47.A Associação Ensino Livre publica hoje uma revisão do manifesto sobre normas abertas no sistema de ensino e respectivo guia de aplicação. Consulte os documentos aqui:
Entrevista com os criadores do Animall
Submetido por EscolasLivres a Segunda, 11/09/2009 - 15:58.Boa tarde caro Tiago e Nuno, responsáveis pelo projecto do SAPO Summerbits animall, destinado a criar animações automáticas a partir de imagens e sons.
De onde surgiu a vossa ideia e a motivação para este projecto em particular?
A ideia surgiu uns meses antes do início do Summerbits, pelo Nuno. Já há um tempo que ele falava como poderia ser interessante ter uma alternativa livre ao Animoto. A ideia desenvolveu-se e ele sugeriu-me a participação no Summerbits, com o objectivo de fazer apenas o motor de animações, portável e modular, de forma a que fosse tão simples quanto possível o desenvolvimento de novos plugins. Decidimos escrever juntos a proposta e foi aí que tudo começou.
Querem descrever em linguagem o menos técnica possível, as tecnologias livres subjacentes a que recorreram e para que servem?
Vamos tentar ser o menos técnicos possível, o que se torna complicado, dada a natureza do projecto. Ora, antes de mais, a linguagem de programação escolhida foi o Python, para os que não conhecem, uma linguagem cada vez mais usada nas aplicações para os utilizadores de Desktop, dada a sua facilidade e rapidez de utilização. Usámos ainda o Gstreamer, que permite construir pipelines de trabalho multimédia. Isto pode ser visto como uma linha de fabrico que, na prática, permite dar na entrada os ficheiros com que queremos trabalhar, fazê-los passar por diversas secções que os alteram e configurar uma saída que produz o resultado final. Usámos por fim o GnonLin, plugin para o Gstreamer que permite criar vários pontos de entrada para a pipeline, de forma a que várias imagens sejam sequencialmente processadas, uma vez que por defeito o Gstreamer só poderia processar um ficheiro. São ainda usados ficheiros XML na configuração.
Que funcionalidades gostariam de ver implementadas a médio-longo prazo no vosso "Animall"?
A melhor evolução que poderíamos ver para o AnimAll, seria a resolução do problema que o Gstreamer ainda apresenta, passando assim a ter as transições a funcionar a 100%. A longo prazo, quem sabe, porque não ver um SAPO AnimAll, que usasse o nosso motor e uma interface web para criar animações, por exemplo, a partir do SAPO fotos, guardando-os directamente no SAPO vídeos, ou permitindo o download das mesmas.
Neste momento concordarão certamente que as funcionalidades são reduzidas. Mas, assumindo que o desenvolvimento continuará após o SAPO Summerbits, como esperamos que continue, se atingisse um elevado grau de maturidade/funcionalidades, julgam que junto do utilizador comum poderia colher alguma atenção face a serviços que disponibilizam estas funcionalidades online hoje em dia? Ou será que o motor é mais interessante do ponto de vista do programador e do programador que disponibiliza serviços na web?
Sem dúvida, o principal objectivo para o Summerbits era ter o motor a funcionar, não com o máximo de funcionalidades possíveis, mas com a melhor estrutura e organização possível. Embora ainda não tenha sido escrita documentação para tal, a criação de plugins é agora possível por qualquer pessoa com um mínimo de conhecimento de python e, no caso de querer criar um plugin para a parte de edição de vídeo/audio, Gstreamer.
A meu ver, uma vez que é um motor de criação de animações, não é orientado ao utilizador final, mas sim para servir de suporte a outras aplicações, web, ou não, que criem uma interface de ligação para com o utilizador. Na prática, estas aplicações deverão apenas criar o ficheiro de configuração segundo os dados do utilizador, retornando depois o vídeo gerado ao utilizador.
Muito importante neste projecto foi ficar a saber o que se pode, e o que não se pode, com as tecnologias utilizadas. Este conhecimento é essencial para avançar com o projecto ou mesmo para criar um novo com o mesmo fim.
A nossa pergunta política habitual... Se fossem responsáveis pelo Plano Tecnológico português, a que iniciativas dariam prioridade?
Sem dúvida, à implementação de Software Livre nos serviços públicos. Os dinheiros gastos pelo Estado em licenças de Software anualmente são astronómicas, o que, a meu ver, e penso que em quase todos os casos, não se justifica, dada a vasta oferta de Software estável, simples e de elevada qualidade que estas comunidades nos trazem.
Acho também que todo o software produzido pela e para a administração pública deveria ser publicado como SL, não há justificação nenhuma para repetir gastos com o mesmo software, seja ele produzido por funcionários públicos ou encomendado com dinheiros públicos.
Outro ponto muito importante e sem dúvida prioritário é a a formação de recursos humanos em tecnologias livres. Acredito que a falta de formação e apoios nesta área não ajudam a diminuir a dependência externa em relação às TI. Mais conhecimento levaria à criação de mais emprego na área e, a meu ver, a uma diminuição da dependência externa.
Obrigado pelo vosso tempo.
Entrevista com os criadores do GeoDádivas
Submetido por EscolasLivres a Segunda, 11/09/2009 - 15:30.Boa tarde, caríssimos Ricardo e Juliano. O vosso projecto no SAPO Summerbits consistia num sistema de visualização em mapa das dádivas de sangue em Portugal.
De onde surgiu a ideia deste projecto e a motivação para o mesmo?
A partir de um trabalho na disciplina de Sistemas de Informação do Mestrado de Informática Médica da Universidade do Porto. Neste trabalho participaram outros dois colaboradores Jorge Leal (Técnico em Análises Laboratoriais, funcionário do Instituto Português de Sangue) e João Azevedo (Enfermeiro). Sob a orientação do Prof. Ricardo Correia, acabámos por formar uma equipa multidisciplinar que pode olhar um mesmo problema de diversos ângulos diferentes. A motivação propriamente dita, foi a de auxiliar o Instituto Português de Sangue, no planeamento e gestão dos postos de colecta móveis de sangue, como também no planeamento das suas campanhas de doações, através da visualização de informação em forma georeferenciada num software livre e gratuito. Já existe software que atenderia a essa necessidade no mercado, mas com custos altos.
Que funcionalidades destacam das actualmente disponíveis e quais os principais casos de utilização para o utilizador comum/pessoal médico?
Funcionalidades:
- Visualizar todas as doações de sangue em Portugal.
- Possibilidade de realizar filtros, a cada consulta de doações, por: data, localidade, tipos de resultados de análise clínicas, locais onde foram realizadas as colectas, tipos de grupos sanguíneos, sexo, faixa etária.
- Visualizar os postos de colecta. Também é possível realizar filtros nas consultas dos postos de colecta.
Casos de utilização:
- Equipa de gestão e planeamento dos postos de colecta móveis pode utilizar a ferramenta para visualizar, de forma geográfica, a posição de cada posto de colecta e as moradas dos seus respectivos doadores. Assim podem definir quais os pontos que foram bem escolhidos e quais os que precisam de ser reajustados.
- Consoante a necessidade dos bancos de sangue em relação a determinado grupo sanguíneo (A, AB, B, O), podem ser realizadas campanhas em determinadas áreas onde existe predominância de um determinado grupo sanguíneo.
- A comunidade científica pode utilizar a ferramenta para visualizar a distribuição geográfica de determinadas doenças identificadas pelas análises laboratoriais, em função da amostra dada, neste caso, os doadores de sangue.
Que funcionalidades prevêem implementar no futuro?
- Calcular as distâncias médias dos doadores até aos postos de colecta que visitam com mais frequência.
- Mostrar as ligações de um posto de colecta a todos os seus respectivos doadores.
- Calcular os melhores locais para os postos de colecta.
- Calcular quais as localidades e os dias melhores para realizar as colectas móveis de sangue.
Provavelmente existe informação médica hoje em dia que carece de visualização geográfica... lembram-se de alguns casos prioritários?
- Mapear casos de doenças infecto-contagiosas, como gripes, SIDA, Hepatite, etc.
- Mapear o trajecto e o tempo que os utentes levam até aos postos de atendimento, sejam Centros de Saúde, Centros de Reabilitação, Clínicas, Hospitais. Um médico, fisioterapeuta, ou qualquer outro profissional da saúde pode utilizar essa informação para ter uma visão mais ampla sobre a deslocação dos utentes.
5 milhões de euros nas vossas mãos para implementarem projectos na área das tecnologias livres, por onde começariam?
- Influenciar os docentes universitários na área da programação a promoverem o envolvimento dos seus alunos nos projectos já existentes.
- Acções de apresentação / educação sobre os modelos de negócio ligados ao OpenSource.
- Aquisição das licenças de software que nos seus domínios sejam Standards de facto, transformando-os em OpenSource. Na área da saúde propunha o sistema SONHO que foi desenvolvido no âmbito do Ministério da Saúde (IGIF) e que é usado por 90% dos hospitais públicos portugueses.
Obrigado pela vossa atenção.
Laboratório de Criação Digital em novas instalações
Submetido por EscolasLivres a Sexta, 10/02/2009 - 10:15.O Laboratório de Criação Digital (http://www.labcd.org), um projecto da Associação Cultural Audiência Zero, parceira da Associação Ensino Livre, reabre portas no próximo dia 06 de Outubro pelas 20h00, em novas instalações, em S. Mamede de Infesta (Matosinhos). O LCD tem como objectivo o estabelecimento de uma comunidade de criadores em arte digital através da realização de projectos colaborativos, multidisciplinares e interactivos com recurso a ferramentas tecnológicas. As novas instalações da AZ vão permitir aos criadores do LCD acesso a novas valências, estando em preparação um estúdio A/V, uma oficina de materiais e um laboratório de electrónica. O LCD vai funcionar todas as terças e quintas entre as 20h00 e as 24h00.
Fazemos notar que nas actividades de criação se insere também criação digital recorrendo a software livre.
Posições de doutoramento em software livre - Universidade Erlangen-Nuremberga (Alemanha)
Submetido por EscolasLivres a Quinta, 09/24/2009 - 17:49.O grupo de investigação em software livre da Universidade Friedrich-Alexander de Erlangen-Nuremberga, na Alemanha, está à procura de alunos com mestrado para iniciarem estudos de doutoramento na área do software livre. Existem várias posições abertas neste momento. Consultem esta entrada na página do grupo de investigação referido para mais informações.
Carta aberta aos professores sobre Software Livre
Submetido por EscolasLivres a Domingo, 09/13/2009 - 12:33.Caro(a) professor(a),
Nas próximas semanas, as escolas e universidades portuguesas vão voltar a encher-se de vida. Os recreios, as salas de aulas, as salas dos alunos e de professores vão ser palco de encontros, reencontros e também de desencontros. Agora que se inicia um novo ano lectivo, queremos aproveitar esta ocasião para partilhar consigo algumas ideias sobre Software Livre e princípios associados.
Antes de mais, importa esclarecer o significado deste conceito. Entende-se por Software Livre o conjunto de programas de computador distribuídos mediante uma licença que respeite as seguintes quatro liberdades:
- Liberdade 1: Liberdade de executar o programa para qualquer fim.
- Liberdade 2: Liberdade de estudar como o programa funciona e de modificá-lo de forma a que possa corresponder às suas necessidades ou intenções.
- Liberdade 3: Liberdade de redistribuir cópias, de modo a poder ajudar o próximo.
- Liberdade 4: Liberdade de poder melhorar o programa e de tornar as suas melhorias públicas, para que toda a comunidade possa beneficiar.
Talvez se imponha concretizarmos com um exemplo, para clarificar. Entre os vários programas de computador disponibilizados pelo projecto OpenOffice.org (http://www.openoffice.org), encontramos um processador de texto, uma folha de cálculo e um programa para criação de apresentações. Como são Software Livre, podemos utilizar estes programas para qualquer fim, instalá-los em qualquer local e tantas vezes quantas as que considerarmos necessárias sem que isso implique qualquer pagamento de licenças ou pedido de autorização. Tratando-se de Software Livre, podemos instalar estes programas na universidade, na escola, na associação, em casa ou noutro local qualquer sem ter que pagar licenças nem incorrer em infracção! Podemos fazer cópias destes programas e distribuí-las pela comunidade, pelos amigos, pelos alunos, encarregados de educação, colegas, etc. Se tivermos conhecimentos para tal, podemos modificá-los e adaptá-los às nossas necessidades e distribuir essas versões modificadas.
Mas qual será o impacto de utilizarmos Software Livre nas nossas escolas e universidades? A Associação Ensino Livre defende que a utilização de Software Livre nas escolas...
- traz benefícios económicos para o sistema educativo e para todos nós;
- permite criar e utilizar software mais diversificado e adequado à realidade e às necessidades dos professores e das instituições de ensino;
- concretiza a aprendizagem de valores fundamentais para a vida em sociedade;
- constitui uma forma de assegurar a prioridade das preocupações de índole pedagógica e científica e a independência do sistema de ensino relativamente às estratégias comerciais e económicas de empresas específicas;
- permite preparar melhor os alunos e as escolas/universidades para o presente e para o futuro, promovendo a inovação e criatividade.
Acreditamos também na partilha de conteúdos educativos, na importância dos conteúdos abertos enquanto meio de construção de uma cultura de conhecimento acessível a todos e construída por todos.
Estamos seguros de que os passos cada vez mais visíveis neste campo que têm sido percorridos em Portugal e no Mundo constituem exemplo da grande relevância destes temas que vos apresentamos.
1. Benefícios económicos para o sistema educativo
As principais vantagens económicas da utilização de Software Livre são sustentadas por um facto inegável: a esmagadora maioria do Software Livre é distribuído de forma gratuita. Pelo contrário, a utilização de software proprietário nas escolas, isto é, software que não é distribuído de acordo com as quatro liberdades referidas acima (por exemplo, Microsoft Office), implica o pagamento de avultadas verbas para o seu licenciamento. Sugerimos a consulta dos dados relativos aos ajustes directos, disponibilizados pelo portal dos Contratos Públicos (http://base.gov.pt), ou através do motor de pesquisa desenvolvido pela Associação Nacional para o Software Livre (http://transparencia-pt.org), para construir uma noção mais completa e informada sobre o valor das quantias anualmente despendidas pela administração pública portuguesa em licenças de software proprietário,
Acresce ainda que, mesmo quando as aplicações proprietárias são "oferecidas" às comunidades educativas, é necessária alguma cautela com eventuais custos menos visíveis: funcionalidades disponibilizadas mediante um pagamento adicional, necessidade de pagamento de novas licenças aquando da actualização para novas versões, custos com suporte técnico ou manutenção, impossibilidade de mudar para outro fornecedor devido ao lock-in de informação em formatos proprietários (i.e., informação que não pode ser aberta em mais nenhum programa a não ser o daquele fornecedor específico), etc.
Não obstante o acima exposto, esta vantagem incontornável não é a mais importante ou significativa. A defesa da utilização de Software Livre radica em razões mais profundas do que o seu custo económico. Não é uma questão de preço, é uma questão de liberdade.
2. Liberdade de modificar o software para responder às necessidades e criar novos desafios
As licenças de Software Livre permitem que as aplicações possam ser modificadas e redistribuídas com essas mesmas modificações. Ou seja, qualquer professor ou aluno, se assim o desejarem e tiverem as competências ou a vontade de aprender necessárias, podem modificar a aplicação, introduzir melhorias ou adequá-la às suas necessidades, e distribuir as suas versões modificadas. Imagine um professor ou um grupo de professores que tem a vontade e as competências necessárias para traduzir para português uma aplicação que só existe em língua inglesa ou desenvolver novas funcionalidades para uma aplicação já existente. Se a aplicação for Software Livre não existe qualquer restrição, pagamento ou proibição.
Mesmo que este não seja o seu caso pessoal, ou o da sua instituição de ensino, certamente compreende a importância da preservação desta liberdade. Por exemplo, a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto adequou a distribuição de Software Livre Ubuntu para que contivesse o software adequado aos cursos leccionados na FEUP (http://linux.fe.up.pt/portal/distros/feuplive). Uma pesquisa rápida na página oficial da aplicação Moodle (http://moodle.org) revela inúmeros módulos e temas desenvolvidos por professores ou escolas que permitem expandir as funcionalidades ou modificar o aspecto da versão original.
3. Valores fundamentais - solidariedade, partilha, trabalho, colaboração
As comunidades do Software Livre são bastante dinâmicas e funcionam assentes nos princípios da colaboração e dos contributos mútuos, envolvendo: pessoas que escrevem o código do programa, pessoas que fazem traduções para várias línguas, outras que se dedicam ao marketing e divulgação, outras ainda que escrevem tutoriais, utilizadores que relatam os problemas encontrados, utilizadores que partilham as criações efectuadas com os programas, etc. O modo de sobrevivência destas comunidades é o trabalho em equipa e a colaboração em massa. Por outras palavras, utilizar Software Livre também significa participar em comunidades espalhadas pelo globo construídas diariamente em torno de valores como a solidariedade, a partilha, a colaboração e a responsabilidade.
Além disso, acontece frequentemente que as contribuições de um dado aluno e/ou professor são rapidamente disseminadas por todo o mundo e reconhecidas por um conjunto alargado de indivíduos. Este reconhecimento pelo contributo e trabalho desenvolvido eleva a confiança empreendedora dos alunos.
4. Evitar a armadilha do lock-in
Existem algumas armadilhas relacionadas com o vendor lock-in que talvez lhe sejam familiares. Por exemplo, quantos de nós já tivemos problemas a tentar partilhar com colegas ficheiros de texto, de imagem, com diapositivos de apresentações, com vídeos? Quantos de nós já optámos por não mudar de programa apenas porque perderíamos a possibilidade de aceder à informação entretanto produzida com o mesmo? Quantos de nós já fomos forçados a adquirir licenças para novas versões dos programas porque os mesmos deixaram de ser seguros ou funcionais? Todos estes problemas derivam do chamado vendor lock-in. Como não é possível estudar o código-fonte dos programas proprietários, modificá-los e partilhar as alterações, ficamos “presos” aos mesmos e à informação por eles criada. A utilização de Software Livre elimina ou atenua a maioria destes problemas.
Em primeiro lugar, porque os programas livres são em geral compatíveis com normas abertas internacionais, permitindo a troca livre de informação. Para mais informação sobre este tópico, recomendamos a leitura de um manifesto e de um guia publicados pela Associação Ensino Livre (http://www.ensinolivre.pt/?q=node/144 e http://www.ensinolivre.pt/?q=node/148 - a actualizar em breve).
Em segundo lugar, porque um fornecedor ou empresa não pode impôr a sua vontade e estratégia comercial sobre o programa livre que temos instalado. Por exemplo, se for descoberta uma falha ou erro grave de funcionamento num qualquer programa livre, existem várias soluções possíveis: confiar na capacidade da comunidade para resolver o problema; resolvermos por nós próprios ou colaborar com outros na solução; e, só por último, solicitar a ajuda de uma empresa. Repare que mesmo neste último caso, terá sempre a possibilidade de sondar várias empresas em busca daquela que presta o melhor serviço, por oposição ao que aconteceria se utilizasse um software proprietário. Porquê? Porque essas várias empresas podem estudar o código dos programas livres e podem modificá-lo, corrigi-lo e melhorá-lo. No caso do software proprietário, apenas a empresa detentora dos direitos sobre a aplicação tem permissão para introduzir melhorias ou correcções.
Mesmo quando o Software Livre é desenvolvido tendo em vista objectivos comerciais, e existem imensos casos de sucesso económico construídos em torno do desenvolvimento de Software Livre ou de serviços a ele associados (i.e. formação, manutenção, etc.), o negócio não é assente em práticas ou políticas empresariais que restrinjam as liberdades do utilizador. O utilizador possui sempre a liberdade de instalar, copiar, analisar, estudar, modificar e redistribuir as aplicações. Para ter uma noção das empresas em Portugal que funcionam nestas condições, visite por exemplo a página da Associação Portuguesa de Empresas de Software Open Source (http://www.esop.pt).
Em resumo, utilizar Software Livre significa não ficar sujeito à estratégia comercial e prioridades definidas por uma empresa específica. Significa não ficar sujeito às suas decisões relativamente a aspectos tão importantes como os custos financeiros de aquisição e de actualização das aplicações, o ritmo, direcção de evolução e desenvolvimento de novas funcionalidades e, até, o próprio prazo de vida da aplicação.
5. Construção de competências adequadas ao mundo em que vivemos, de inovação e criatividade
A cidadania plena na Sociedade em Rede implica a construção de competências relacionadas com o modo de funcionamento dos computadores e da Internet. Se a possibilidade de estudar, analisar e modificar o código-fonte das aplicações de Software Livre traz benefícios óbvios para quem pretende construir conhecimento na área da informática, não é menos verdade que as oportunidades de aprendizagem proporcionadas pelo Software Livre podem ultrapassar em muito o âmbito restrito da informática.
Nos alicerces do panorama tecnológico actual encontramos eixos fortemente compostos por processos de mudança, diversidade e inovação. Neste contexto, é legítima a preocupação com o futuro dos alunos que constroem as suas competências em torno da utilização de um sistema operativo proprietário ou de um conjunto de ferramentas proprietárias. Em primeiro lugar, porque os produtos desta natureza obedecem primeiramente à estratégia comercial de uma empresa específica e terão a sua existência justificada apenas enquanto produtos economicamente viáveis. Em segundo lugar e não menos importante, porque, dada a existência de restrições de vária ordem (preço, monopólios, falta de interoperabilidade, etc.), os alunos/professores/instituições que o utilizam não são estimulados a uma cultura de mudança, de inovação, de experimentação, de melhoria das suas práticas, de criatividade, essenciais tanto na informática como em todos os sectores.
Utilizar Software Livre significa abraçar um mundo composto por diversidade e inovação, implica processos de avaliação de alternativas, defende a liberdade de escolha. A opção pelo Software Livre traduz a valorização da construção de competências em Tecnologias da Informação e Comunicação em detrimento da valorização de competências de utilização de aplicações específicas vendidas por empresas específicas. Significa também a promoção de uma atitude face às TIC que favoreça a criatividade e a participação activa, a colaboração e o consumo crítico. Esta atitude irá reflectir-se positivamente nas competências de longo prazo dos nossos alunos, futuros profissionais.
6. Em que estado estamos?
Hoje em dia, são imensos os projectos de Software Livre mundialmente conhecidos e indispensáveis ao ecossistema das tecnologias da informação. Por exemplo, a maior parte dos servidores web, os computadores que nos apresentam as páginas na Internet, utiliza o Software Livre Apache. Para navegar nessas mesmas páginas, milhões de utilizadores utilizam o programa livre Mozilla Firefox. Para produzir documentos de escritório, podemos utilizar os programas fornecidos pelo projecto OpenOffice.org tal como fazem milhões de outros utilizadores e organizações. Os exemplos multiplicam-se e, para estas mesmas funcionalidades que acabámos de referir, existem dezenas de outras alternativas com qualidade. Para mais informações sobre programas livres, sugerimos uma visita ao sítio web da Associação Ensino Livre (http://www.ensinolivre.pt), a consulta do “Guia do Software Livre para Escolas, Alunos e Professores” (http://www.ensinolivre.pt/files/guiasoftwarelivrev11.pdf) ou uma passagem pelo SourceForge (http://sourceforge.net), um dos maiores repositórios de Software Livre.
Actualmente, são já muitos os exemplos de escolas e outros organismos espalhados pelo mundo inteiro que mergulharam na utilização de Software Livre. A título meramente exemplificativo, pela sua magnitude e impacto educacional, mencionamos os casos da Junta Autónoma da Extremadura (http://lwn.net/Articles/193402/), do Brasil (http://www.softwarelivre.gov.br/noticias/meccomlinux/) e da Rússia (http://www.ensinolivre.pt/?q=node/180).
7. Conteúdos abertos
Gostaríamos de terminar esta carta referindo ainda um outro tema que é muito caro ao movimento do Software Livre e que achamos da maior pertinência referir no início deste novo ano lectivo: os conteúdos abertos. Designam-se por conteúdos abertos aqueles conteúdos que são construídos e disponibilizados respeitando em grande medida as quatro liberdades associadas ao Software Livre. Para ilustrar o conceito, usaremos como exemplo o trabalho produzido pelo Consórcio OpenCourseWare, entidade internacional que agrega reputadas instituições de ensino e investigação (http://www.ocwconsortium.org/members/consortium-members.html). Os membros deste Consórcio partilham materiais educacionais que podem ser usados, adaptados e partilhados por qualquer pessoa com restrições mínimas. Estas restrições são estabelecidas por licenças do tipo Creative Commons (http://creativecommons.org) e podem obrigar a redistribuir o material adaptado mediante a mesma licença, a dar crédito ao autor original do trabalho, a uma utilização não-comercial, etc.
Para avaliar correctamente o potencial impacto educacional de iniciativas deste género, imagine que cinco universidades portuguesas decidiam publicar online os materiais de apoio de todos os seus cursos mediante licenças do tipo Creative Commons. Para além do óbvio reforço da sua presença online e prestígio, estas instituições estariam a permitir que professores de todo o país, de todos os níveis de ensino e áreas, pudessem ter acesso a esses materiais. Os professores poderiam então adaptá-los às suas necessidades específicas, melhorá-los e redistribuir as melhorias, divulgá-los nas suas aulas. Alunos e professores teriam assim acesso a um recurso valiosíssimo, como aliás já acontece com os conteúdos em língua inglesa disponibilizados pelos membros do OpenCourseWare e de tantos outros projectos internacionais similares.
Se se identifica com os princípios associados aos conteúdos abertos, deixamos aqui o desafio: este ano lectivo, partilhe os seus materiais educacionais mediante uma licença Creative Commons.
Para alguns professores, esta carta foi como um reencontro entre amigos que já se conhecem. Para outros, terá sido uma novidade ou descoberta que, espera-se, possa ser o início de uma nova amizade.
A todos, desejamos um ano lectivo recheado de boas novidades e de muito sucesso profissional.
Associação Ensino Livre
I Encontro Nacional de Interoperabilidade
Submetido por EscolasLivres a Quinta, 09/10/2009 - 08:21.Decorrerá a 16 de Setembro de 2009, no Parque das Nações em Lisboa, o I Encontro Nacional de Interoperabilidade. Este encontro contará entre outros com a presença do Bastonário da Ordem dos Advogados, da Ordem dos Economistas, representantes do Plano Tecnológico, presidentes do INESC, AMA, APDSI. A participação está reservada a convidados mas certamente será disponibilizado de alguma forma ao público em geral este debate. Notamos que neste Encontro discutir-se-á o conceito de Interoperabilidade num sentido lato, que pode sair do âmbito tecnológico e ir para além das habituais discussões relativas a normas abertas.
Guia de Software Livre para Escolas, Alunos e Professores - Edição revista e aumentada v1.1
Submetido por EscolasLivres a Terça, 09/01/2009 - 08:35.
Já está disponível uma nova edição do Guia de Software Livre para Escolas, Alunos e Professores, disponível aqui (tamanho 45MB).
O guia é-nos oferecido por Nelson Gonçalves e editado pelo Centro de Formação de Associação das Escolas de Matosinhos.
O objectivo do guia é o de "auxiliar na divulgação da existência de Software Livre e, consequentemente, promover a sua utilização. Destina-se, em primeiro lugar, a professores,
alunos e pais, mas será certamente útil a todos aqueles que pretendam descobrir o mundo do Software Livre e conhecer algumas das suas melhores ferramentas. O seu carácter introdutório justifica a abrangência e diversidade das aplicações apresentadas. Mais do que uma selecção de ferramentas para professores de uma área disciplinar específica ou alunos de um determinado nível de ensino, procurámos seleccionar um conjunto diversificado susceptível de ser utilizado por um leque bastante vasto de utilizadores. Esperamos que este guia possa ajudar a despertar a curiosidade dos leitores e, caso seja possível, incentivar à colaboração e participação no desenvolvimento de projectos de Software Livre e Aberto."
Os autores disponibilizarão em breve o código-fonte do guia.
Projectos Summerbits 2009
Submetido por EscolasLivres a Quarta, 07/29/2009 - 22:47.Já são conhecidos os projectos SAPO Summerbits aceites na 2ª Edição, 2009. Consultem a página:
http://softwarelivre.sapo.pt/projects/geral/wiki/FinalistasSummerbits2009
Workshop Impressão 3D
Submetido por EscolasLivres a Quarta, 07/15/2009 - 11:33.Um dos parceiros da Associação Ensino Livre, a Associação Cultural Audiênica Zero vai lançar em Outubro mais um dos seus Workshops interessantíssimos, desta vez sobre impressão 3D.
O Workshop de Impressão 3d orientado por Zach 'Hoeken' Smith (RepRap / MakerBot / Sanguino), que será em inglês, terá lugar em Lisboa, em lugar a anunciar brevemente e contará com uma duração de 58h em duas semanas.
Guia de Software Livre para Escolas, Alunos e Professores
Submetido por iGama a Terça, 07/14/2009 - 10:29.Guia criado por Nelson A. F. Gonçalves, que relata:
"A ideia para este guia já surgiu há alguns meses. Entretanto, foi necessário concluir com rapidez uma primeira versão para distribuição num evento onde a minha escola participou. Já está prevista uma versão 2.0 com correcções, mais software e imagens. Todos os comentários são bem-vindos!
Para já, fica aqui o link para a actual versão (a única disponivel, de momento) do guia."
Aguardamos com interesse a publicação da versão 2.0.
Fonte : http://www.intervir.net/
2ª Edição do SAPO Summerbits
Submetido por EscolasLivres a Quarta, 07/08/2009 - 18:00.O SAPO e a Associação Ensino Livre lançam hoje dia 8 de Julho o programa SAPO Summerbits. Neste programa são oferecidas bolsas a estudantes, de todos os graus de ensino ou proveniências (maiores de 18 anos e com vínculo a Escola/Universidade Portuguesa), para que contribuam para projectos de Software Livre, já existentes ou completamente novos. As ideias com maior impacto tecnológico e social serão financiadas com 2500€ ao longo de três meses.
Após o sucesso da 1ª Edição, continuamos com o objectivo de tornar o SAPO Summerbits num programa de referência no meio académico e junto das diversas comunidades de software livre que fervilham por todo o país, mostrando simultaneamente ao mundo toda a capacidade criativa dos nossos estudantes.
Na 2ª Edição serão financiados até 10 projectos. As candidaturas são feitas electronicamente pelos orientadores que vão acompanhar o aluno ao longo dos três meses e estarão abertas até dia 27 de Julho de 2009. Para mais informações visite a página oficial do projecto em summerbits.sapo.pt.
Actividade com Celestia para o Magalhães
Submetido por EscolasLivres a Quarta, 06/03/2009 - 14:28.Uma pequena nota para anunciar que a Associação Ensino Livre iniciou uma série de contribuições para a Comunidade Caixa Mágica envolvida no projecto Magalhães. A primeira das actividades, com o Celestia, pode ser encontrada neste endereço.
II Jornadas de Software Aberto para Sistemas de Informação Geográfica
Submetido por EscolasLivres a Quarta, 06/03/2009 - 14:05.Transcrevemos abaixo anúncio público de um encontro na Universidade de Évora, a decorrer nos dias 3 e 4 de Novembro de 2009, sobre Software Aberto para Sistemas de Informação Geográfica, que abrangerá, também, o sector Educação. Alguns dos temas a abordar passarão por: PostgreSQL/Postgis, QGis/Grass, GNU/Linux, gvSIG, Mapserver, OpenLayers.
===
"O II SASIG tenciona apresentar casos de estudo de implementação de Sistemas Abertos para SIG na Administração Pública, nas Organizações, na Educação, na Investigação, e diversas soluções Abertas e de Interoperabilidade entre sistemas SIG. Pretende-se ainda potenciar a formação nas diversas tecnologias e programas SIG, baseados em Open Source, existentes. Como objectivo último, reforçar a participação e a comunidade portuguesa de utilizadores de Software Open Source para SIG em Portugal, promovendo o convívio em actividades de cariz cultural e uma reunião com os interessados em formalizar a Associação OSGEO_PT, numa primeira assembleia. O formato destas segundas Jornadas irá seguir o das Jornadas anteriores, com um espaço de dia e meio dedicado à apresentação teórica dos casos de estudo e especificidades relacionadas com a tecnologia SIG Open Source, e outro tanto dedicado à formação em formato de Workshops (básicos e avançados).
Temos o prazer de anunciar que as inscrições no II SASIG estão abertas, com pré-inscrição (desconto de 20%) até 15 de Setembro de 2009.
Convidamos ainda a todos os interessados a apresentar uma comunicação oral ou poster, a fazê-lo segundo o regulamento descrito em http://evora.sigaberto.org (menu "Envio de trabalhos"), até ao dia 31 de Julho de 2009.
Para mais informações consulte o website do evento: http://evora.sigaberto.org
Semana do Software Livre - Instituto Superior de Contabilidade e Administração do Porto
Submetido por EscolasLivres a Sexta, 05/15/2009 - 11:12.De 1 de Junho a 5 de Junho decorrerá no ISCAP (Instituto Superior de Contabilidade e Administração do Porto), uma semana totalmente dedicada ao software livre.
Indicamos abaixo o programa da semana. Para mais detalhes ou para se inscrever poderá consultar a página do evento.
Programa da SemanaSEGUNDA-FEIRA, dia 1 de Junho de 2009
- Workshop - Construção de inquéritos electrónicos com o Limesurvey; 14h30/16h30 Sala 207; Gratuito
- Painel - A utilização de plataformas web de software livre no trabalho colaborativo; 14h30/16h00 Sala Actos; Gratuito
- Sessão de Ubuntu; 16h30/17h30 Anfit. 3; Gratuito
QUARTA-FEIRA, dia 3 de Junho de 2009
- Workshop - Iniciação ao Joomla; 14h30/17h30 Lab. 1; Gratuito
- Workshop - Construção de um e-portfolio com a EduSpaces; 14h30/16h30 Sala 207; Gratuito
QUINTA-FEIRA, dia 4 de Junho de 2009
- 2ºs Encontros de Software Livre - Informáticas Alternativas: Soluções de Apoio ao Negócio; 10h00/16h00 Auditório; Estudantes: 10 €; Púb. Geral: 15 €
SEXTA-FEIRA, dia 5 de Junho de 2009
- Oficinas de Tradução 2009: Localização de Software Livre, novos desafios globais; Estudantes: 40 €; Púb. Geral: 60 €
- Palestra Software Livre e a Gestão Documental; 11h30/12h30 Anfit. 3; Gratuito



